A quem interessar possa
No Ministério da Segurnça do Estado, hoje Ministério do Interior, no Departamento de Informações recebeu-se ordem formal de vigiar e controlar D. Carolina de Fátima de Silva Francisco.
Como esta Senhora mantinha contactos directos devido ao seu trabalho com individuos de raça branca o argumento que se forjou para ser dada essa ordem foi o de ela passava informações de caracter político-militar ao Governo Sul Africano.
Quem deu esta ordem ao Ministério da Segurança foi o Sr. José Maria, apesar de não haver fundamento real para ela ser dada.
A razão da ordem está antes no facto do Sr. José Maria ter tido interesse em relações amorosas com Dona Carolina e haver sido, tal como sucedeu com outros repelido.
O Sr. José Maria era o Chefe de Segurança do Gabinete do Presidente da República e Director Nacional do CIG (Contra Inteligência Central).
A ordem em questão foi dada pelo Sr. José Maria ao Sr. Laborim que era o chefe de Departamento chamado Grupo de Acção.
Por sua vez o Sr. Laborim encarregou de cumprirem a ordem os Srs. Comboio, Amândio Sebastiâo Mendes, Zé Maria e outros que não interessam a este caso.
Estes Srs. Comboio, Amândio Sebastião Mendes e Zé Maria eram conhecidos como elementos indisciplinados e como tendo sido expulsos do Ministério mas actuaram por conta do Sr. José Maria.
Os Srs. José Maria, Kipakassa, Pedro de Castro Van-Dunem LOY, Laborim, Victor Lima, Daniel de Castro e Bravo da Rosa eram todos muito amigos e todos haviam assediado a D. Carolina de Fátima da Silva Francisco com propostas amorosas e todos haviam sidi pepelidos.
O Sr. Kipakassa era o responsável pela vigilância e segurança de todas as empresas estrangeiras que operam em Angola.
Como resulta do que atrás se diz foi, a repulsa por assédios amorosos que determinou a ordem do Sr. José Maria, bem como do planeamento e aexucução da morte de D. Carolina e do Guarda.
Segundo D. Joaninha da Costa Guilherme, namorada do Sr. Victor Lima ( o qual fazia parte do elenco de amigos do Sr. Kipakassa ) nessa noite de 28 de Fevereiro de 1991 estavam presentes dentro da residência de D. Carolina os Srs. Major Inocêncio, Daniel de Castro e Bravo da Rosa.
Por ordem do Sr. Kipakassa um dos guardas não fora trabalhar nessa noite e esse mesmo Sr. Kipakassa ghegara mais cedo acompanhado dos elementos já descritos como Comboio, Amândio e Zé Maria para eliminação física do outro guarda que já tivera ganho a confiança e simpatia de D. Carolina.
Segundo D. Joaninha ela D. Joaninha foi utilizada para que D. Carolina abrisse a porta por volta das 21.00 e os homens, Victor Lima, Inocêncio, Daniel de Castro, Bravo da Rosa estavam escondidos e depois da abertura penetraram na residência.
A mesma D.Joaninha diz que desconhecia os objectivos dos mesmos elementos e que depois foi ameaçada de morte se contasse a alguém.
Não lhe fora feito mal porque às 19.00 daquele mesmo dia fora convidada e buscada pelo Sr. Victor Lima em casa onde habitava com os Pais ou seja era do conhecimento da Família dela D. Joaninha que ela havia saído com o namorado Victor Lima; por isso não lhe fizeram mal.
Depois dessa cena não quis mais namorar o Sr. Victor Lima e retirou-se para Portugal sem aviso prévio.
Os factos ocorridos dentro da habitação podem ser confirmados e relatados pela D. Joaninha presente no acto.
Ainda segundo a D. Joaninha, Victor Lima, Inocêncio, Daniel de Castro e Bravo da Rosa violaram D. Carolina tendo sido o Sr. Victor Lima quem, depois a matou.
No relato que fez do caso a D. Joaninha não disse expressamente (nem lhe foi perguntado) se o Sr. Kipakassa também esteve dentro da residência mas por esse relato, D. Joaninha, indicava que outros homens estiveram dentro da residência de D. Carolina.
15 de Setembro de 1993
ASSINATURAS DE:
Fernando José António Neto
Francisca da Costa Guilherme
